A Importância de Parar: Vulnerabilidade, Limites e Autocuidado
Hoje venho mostrar a minha vulnerabilidade e permitir-me partilhar contigo a dificuldade que ainda é, para mim, PARAR e respeitar os limites do meu corpo, da minha mente e da minha energia.
Durante muitos anos “aprendi” que precisamos cuidar dos outros primeiro. Foi isso que vi a minha mãe fazer a vida toda: colocar sempre as necessidades dos outros acima das dela.
E eu cresci dentro desse padrão… repetindo o mesmo ciclo, sabe-se lá há quantas gerações já presente na minha família.
Desde muito jovem que carrego “pesos” que não me pertencem — lealdades invisíveis que nem sabia que existiam até há pouco tempo.
Esses pesos refletiram-se no meu corpo: dores nas costas, cervical, lombar e, mais recentemente, dorsal.
Ainda muito pequena, descobriram um “defeito de fabrico” na minha coluna. O canal é demasiado estreito e faz compressão nos nervos.
P.S.: Os meus pais não têm livro de reclamações, senão eu reclamava ☺
Os anos passaram, as dores pioraram, mas a ideia era sempre a mesma:
“Aguenta. Não há nada a fazer.”
E eu aguentei…
Aguentei sem ouvir o corpo, sem lhe dar o descanso que tanto precisava.
Continuei a carregar as minhas dores… e as que não eram minhas.
Até que comecei a fazer terapia — e, na minha opinião, todos deveríamos fazer terapia. Médico, terapeuta, psicólogo, manicure, lojista… todos. Porque todos temos traumas a curar e todos podemos evoluir a partir das nossas dores.
Foi aí que comecei a olhar para mim.
A cuidar das minhas emoções.
A acolher as minhas dores físicas.
E aprendi a dizer Não.
Ainda assim… a vida trouxe-me agora uma grande lição.
Afinal, ainda há muito a aprender e a trabalhar.
Após tratamentos à coluna, comecei a ter dores onde tinha… e onde não tinha 😢
A minha mente já estava cansada e dei por mim com dificuldade em PARAR.
Parei, sim, no meu servir.
Mas o estar parada, descansar, permitir-me repousar… isso foi extremamente difícil.
Dizer Não aos meus clientes foi extremamente difícil, mesmo que a minha política sempre tenha sido:
“Se não estou bem, não atendo.”
Talvez seja da altura do ano, talvez seja mais uma limpeza profunda… mas esta dificuldade, que pensei já ter superado, voltou a “assombrar-me”.
E veio o parar forçado.
O meu corpo gritou: “PÁRA.”
E eu parei… três dias.
E o corpo respondeu: “AGORA VAIS MESMO PARAR.”
E eu cedi.
Parei porque já não havia mais solução.
O corpo gritava, a mente gritava… e a minha energia também gritou.
E quando a energia grita, não há fuga possível. Aí eu parei mesmo.
Que este meu exemplo seja uma reflexão para quem está a ler este “testamento”:
✨ Não esperes que o teu corpo, mente e energia se esgotem.
✨ Reconhece os teus limites.
✨ Diz Não quando for preciso.
✨ Permite-te parar.
Descansar também é sinónimo de autocuidado.
Liberta-te de responsabilidades que não são tuas.
Ajuda o outro sem carregar o problema como se fosse teu.
Resolve o que é teu e deixa que cada um resolva o que lhe pertence.
Diz Sim a ti todos os dias.
Ama-te acima de tudo.
Nutre o teu corpo, a tua mente e a tua energia.
Porque todas as nossas partes precisam de cuidado — e quando uma falha, todas as outras sentem o impacto.
Um abraço de Luz,
Andreia Simões



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