Uma reflexão sobre cansaço mental, padrões antigos e o regresso ao essencial.
Dou por mim a sentir que o tempo passa cada vez mais rápido, com aquela sensação constante de que ficou tanto por fazer.
Talvez não seja o tempo que esteja a acelerar, mas sim a minha mente — cada vez mais hiperativa, sempre a pensar em mil e uma coisas que têm de ser feitas.
O que é certo é que, com esta sensação de aceleração permanente e com a pressão de não conseguir corresponder às exigências da minha própria mente, entrei em colapso.
Os sinais foram aparecendo… mas eu não os ouvi. Ou talvez não os tenha querido ouvir.
Hoje, já com mais equilíbrio, depois de algum descanso (digo algum, porque podia ter sido ainda mais ☺), consigo olhar para este tema com outra clareza.
O tempo não estava acelerado.
Eu é que estava.
Vivendo constantemente ligada nos 220v, num conflito interno profundo entre a minha calma — que me é natural — e a aceleração extrema da mente, carregada com 300 tarefas por dia.
Esta quebra, no final de 2025, levou-me a fazer mudanças há muito necessárias na minha vida.
A primeira foi pedir ajuda.
Precisei do apoio da minha querida colega, amiga e psicóloga integrativa, a Dra. Alexandra Fernandes, que me ajudou a ver aquilo que estava mesmo à frente dos meus olhos, mas que sozinha não conseguia ver.
A minha vida pessoal estava em conflito com a minha vida profissional.
E eu precisava, urgentemente, de mudar algo para deixar de sentir o peso que já não conseguia sustentar.
Então mudei.
Deixei de trabalhar nas tardes em que preciso de viajar para acompanhar a minha filha à psicóloga. Durante muito tempo acreditei que, se não aproveitasse aquela 1h30 “livre” para trabalhar, não estava a ser produtiva.
Hoje percebo que isso era apenas mais uma crença a exigir demais de mim.
Incluí também o exercício físico — algo há muito recomendado pelos meus médicos, devido a alguns problemas de saúde — e que eu fui sempre adiando.
Permiti-me, ainda, libertar de responsabilidades que assumi como minhas, mas que, na verdade, não me pertenciam.
A Andreia “perfeita”, aquela que tinha de dar conta de tudo, acreditava que, se não assumisse determinadas responsabilidades, não era suficiente.
Essa Andreia entrou num processo de “morte” há já algum tempo… mas ainda existiam muitas raízes profundas que precisavam de ser cortadas.
E, mesmo depois de libertar e delegar algumas responsabilidades, dou por mim, por vezes, a regressar ao “antigo eu”.
Este é um processo.
Anos e anos no mesmo padrão não se desfazem de um dia para o outro. Sou profundamente grata por, pelo menos, ter consciência quando isso acontece — consciência suficiente para dar um passo atrás e dizer a mim mesma:
“Isto já não é minha responsabilidade. O outro também consegue.”
Com estas mudanças, sinto-me hoje muito mais calma.
A mente mais tranquila.
E, acima de tudo, consigo desfrutar de mais tempo de qualidade com a minha família.
Quando estou com eles, estou verdadeiramente presente. A mente está ali.
O cansaço mental desvaneceu-se e a energia voltou — cheia de força e vontade de criar coisas novas.
Hoje reconheço a Andreia que fui, mas também vejo com clareza aquela que esteve escondida durante muitos anos atrás de máscaras — máscaras feitas de crenças que sabotavam o meu verdadeiro Eu.
Fui aquilo que imaginei que era uma mulher adulta “perfeita”.
Hoje sou Eu. Imperfeita, inteira e profundamente feliz.
Dou espaço para a minha criança se expressar, para a minha adolescente resmungar e para a minha adulta crescer.
Todas cabem dentro de mim. Agora em harmonia.
Não preciso anular nenhuma parte de mim para Ser.
E assim… sou muito mais feliz. 🥰



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